Logo Desconserva

Desrespeito desde sempre, até no nosso mês

Desrespeito desde sempre

É com um suspiro profundo de frustração que começo esse texto, 2022 realmente não veio pra brincar, o ano nem começou direito e já temos que nos deparar com declarações absurdas e em pleno mês da Mulher, na semana que antecede o dia 08, vemos um parlamentar falando coisas nojentas, sexistas sobre as mulheres na Ucrânia em situação de guerra, dizendo que “são fáceis, porque são pobres”, é algo que nos causa repulsa, ódio e frustração, sabe por quê? Porque a gente sabe que esse tipo de conversa rola em vários grupos de homens no WhatsApp, você sabe disso né, querido.

A revolta surge porque foi exposto algo que acontece muito nos países em guerra, mulheres e crianças são estupradas, vendidas, então é algo que dói na gente. Dói porque isso acontece no dia-a-dia, dói, porque a gente sabe que precisamos ficar numa luta constante para não sermos colocadas como objeto, dói porque nos tratam assim, principalmente as mulheres pobres, periféricas, dói porque veem como descartáveis, é como se o corpo feminino sempre tivesse um preço, sempre fosse moeda de troca, como se o nosso corpo não nos pertencesse, apesar de vivermos nele.

A revolta surge e o cansaço também, porque como eu disse logo no começo, esse tipo de conversa rola em grupos de WhatsApp, roda de amigos, mesa de bar, comportamento típico do homem, brasileiro principalmente, não temos paz, é como se a gente tivesse sempre que estar com a guarda alta, porque nunca sabemos quando seremos tratadas como um pedaço de carne, o cansaço surge porque é cultural, é estrutural e é uma luta constante, temos que estar sempre em alerta. E claro, pra não sair do roteiro, a culpa é nossa né, porque somos simpáticas demais, ou porque somos sérias demais, ou, o melhor/pior de todos, porque somos pobres, puta que pariu hein!!!!

A revolta e a frustração vem, porque a gente sabe que o abençoado, não será punido, vai receber uma advertência, ficar longe uns tempos e depois vai surgir, ganhando votos e enfim né.

O melhor/pior ódio é ouvir o cidadão dizendo “hãr eu me empolguei, peço desculpas a quem ofendi, eu não sou essa pessoa” eu ri disso, ri de ódio, porque, sim, o cidadão é essa pessoa, ele é esse ser desprezível e nojento, a única diferença dele pro resto é que ele foi exposto.

Você, homem, realmente respeita as mulheres?

Dia 8 de março tá aí, e como disse no meu texto de estreia, vai vir muita homenagem vazia, então novamente eu te pergunto, amigo, você realmente respeita as mulheres? Você realmente não vê a gente como um objeto? E perante as piadas machistas? E perante falas nojentas, como a desse parlamentar? E no grupo dos brothers rola esse tipo de comentário, pornografia? Você está em algum grupo assim? Como você reage quando um “brother” é um escroto com uma mulher? Você corrige, fala que ele é um escroto ou tem medo de perder a amizade? (E que amizade m3rda hein), o seu respeito e empatia com as mulheres é só no seu círculo social? E fora dele, você continua agindo com respeito ou você é um escroto com uma mulher desconhecida? Eu trago essas perguntas novamente, pra você refletir antes de “parabenizar” as mulheres, porque se você ainda faz algumas dessas coisas mas tá se esforçando pra mudar, fazendo uma terapia, ok, continue assim e não faz mais que a obrigação, o mínimo, mas se você faz tudo isso e não tá nem aí, minhas palavras não vão te impedir, mas sugiro que fique na tua e trate esse dia como se fosse outro qualquer, porque no final dele você vai continuar o mesmo 3scroto b4baca de sempre.

Eu sei que tá repetitivo, eu sei que posso ter falado tudo isso anteriormente, mas a gente não tá tendo trégua, a gente nunca tem, sendo bem sincera, nunca tivemos trégua.

Colunista: Natalia Breves